Um Domingo de Rei.

Hoje, a Júlia e eu acordamos cedo, arrumamos a casa, desenhamos um monte e enfim nos preparamos para almoçar com o Rodrigo e a Lud num lugar que ainda não conhecíamos: o Pote do Rei.

Eles falaram muito bem do lugar. O Rodrigo havia avisado que eu lembraria do chef, William Ribeiro, que sempre estava no restaurante da mãe dele no tempo em que trabalhávamos na região da Berrini, há mais de 5 anos atrás.

A Júlia se enfeitou com tranças e flores para acompanhar os passos de sapateado que devem ter acordado a nossa vizinhança toda hoje cedo. Ainda mais quando dançou em cima da mesa de centro.

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E, ao chegar lá, incrivelmente, encontramos adivinha o que?

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Um cravo vermelho em cada mesa. Oh, isso já era um bom sinal.

Para aplacar a fome da criança, pedimos como entradinha uma porção de pasteizinhos de carne e chouriço português, com ovo de codorna e azeitonas verdes. Foi uma escolha sensacional. Fiquei com medo que ela perdesse o apetite de tanto que comeu.

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Como prato principal, já que não havia nenhuma opção interessante no menu infantil, optei por dividir com ela a paleta de cordeiro assada lentamente, caramelizada no próprio molho, acompanhada de batatas rústicas ao alho e alecrim. Era um prato bem generoso para duas pessoas.

E acertei em cheio. A carne estava perfeita, quase derretendo de tão macia. Uma criança dois anos poderia comer tranquilamente porque ao cortá-la ela desfiava naturalmente.

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Quando o chef chegou em nossa mesa, lembramos imediatamente um do outro. Fiquei extremamente contente em ver a evolução do trabalho dele. E o mesmo bom humor de sempre estampado no sorriso em seu rosto.

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Aos poucos, a Júlia foi se soltando e no final ela pediu mais um cravo dele. E só assim ele ganhou um beijo dela.

Foi um almoço maravilhoso em todos os aspectos.

A luz estava perfeita, a comida deliciosa e a companhia maravilhosa. Fora isso, o Rodrigo ainda tirou fotos incríveis que vou guardar para sempre.

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Lud e Rodrigo, obrigada de novo pelo convite. Eu e a pequena Júlia simplesmente amamos este domingo perfeito.

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Esta é a Lud, foto da Júlia.

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William e Rodrigo, foto da Júlia.

Hábito é tudo.

Percebo que cada vez mais é difícil fazer a Júlia experimentar coisas diferentes. Por isso, eu sempre digo: quanto maior for o repertório de alimentos introduzido antes dos 2 ou 3 anos de idade melhor.

Ela vai fazer 5 e, por nossa insistência, desde bebê come praticamente de tudo. Só não aceita molhos, cremes, massas, pães, iogurtes, biscoitos recheados e frituras porque desde cedo isso não fez parte do cardápio dela.

Isso é apenas resultado de uma coisa chamada hábito. Algo que, na vida dos filhos, é responsabilidade dos pais. Mais ninguém.

Isso realmente não é fácil, porque eu mesma trago hábitos ruins da minha infância, como a dificuldade de comer saladas. Não tem nada a ver com gostar ou não, mas uma certa preguiça e falta de costume.

Só por causa da Júlia, estou mudando. Da mesma forma, nunca comi tanta variedade de frutas em minha vida. Entendo que agora os hábitos não são apenas meus, mas da minha família. E isso tudo reflete na saúde das pessoas que eu mais amo no mundo.

Lentilhas sem traumas.

Há muitos anos atrás, num ano-novo, estávamos numa casa de praia quando minha irmã resolveu fazer lentilhas numa panela de pressão. Faltavam 15 minutos para a virada do ano, quando ela explodiu e a tampa perfurou o teto da casa de madeira, indo parar no telhado. A cozinha ficou inundada de lentilhas. Por sorte, minha irmã não teve nenhum ferimento. Naquele dia, eu jurei que nunca usaria uma panela de pressão. Depois de muita insistência do pai da Júlia, até aceitei ter uma em casa, mas sob a condição de nunca usá-la.

Ainda bem que só ficou o trauma da panela e não das lentilhas.

É um dos meus pratos favoritos e da Júlia também.

Não importa a forma de preparo, por mais simples ou elaborada, lentilha é sempre uma delícia. Ainda mais aquela francesa verde, pequeninha, que é bem fácil de encontrar por aí.

Hoje no almoço preparei a lentilha do jeito mais básico possível e, mesmo assim, a Júlia pediu para comer de novo no jantar.

Deixei a lentilha de molho por 1 hora. Coloquei-a na panela com essa água do "molho" e inclui mais um tanto. Adicionei batatas em cubos. Para temperar, inclui 2 tabletinhos de caldo de costela. Deixei cozinhar por cerca de 40 minutos (viu como não precisa de panela de pressão?).

Só.

Ficou uma delícia. Servi com arroz no ponto que a gente gosta: grudadinho. Como não tinha preparado nenhuma carne, servi ainda fatias de presunto cru. Tenho a sensação que combinou demais.

Duas crianças que gostam de legumes.

Hoje estava de verdade com preguiça de cozinhar, apesar de ter ido cedo ao Santa Luzia e comprado um monte de coisinhas boas. Por isso, resolvi improvisar, esquentando no forno um arroz coberto de carne com molho que fiz ontem. Era um picadinho de músculo muito saboroso e macio. Chamei de escondidão e servi.

A Júlia enrolou e deixou uma boa parte no prato.  Olhou para o armário e pediu sucrilhos. Disse não. Sucrilhos é para o café da manhã, não para o almoço. Se quiser, tem frutas. Ela delicadamente levantou da mesa e foi embora. Uns 10 minutos depois, pediu sucrilhos e eu insisti: Júlia, você tá com fome? Ela confirmou. Perguntei se ela aceitava legumes no vapor. Ela disse sim.

Bom, 15 minutos depois, lá estava ela se deliciando com brócolis e couve-flor, com azeite e sal. Deu nota 10 e disse que meu almoço estava nota 1. Tudo esclarecido.

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Por que ela gosta de legumes?

Deve ser porque eu e meu marido adoramos. Comemos sempre. E de preferência cozidos apenas no vapor. Desde bebê, a Júlia nos acompanha nas compras e conhece todos os legumes. Só não come beterreba, assim como eu. Isso explica muita coisa, né?

Mas uma criança gostar de legumes não tem nada de incrível, na minha opinião. É apenas hábito.

Impressionante mesmo é a nossa gatinha Hello Kitty, 3 meses, comer brócolis e couve-flor. Juro, nunca vi isso antes na minha vida.

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Na feira em Boston.

O papai da Júlia está em Boston e, obviamemente, já encontrou uma feira por lá, apesar da estadia rápida. Contou-nos que uma lagosta custa U$ 6 na feira e uma ostra U$ 1 no bar do hotel. Tudo muito barato em relação ao Brasil. Eu e a pequena gourmet adoramos tudo que vem do mar. Ficamos com água na boca.

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Off.

O blog tirou pequena férias devido às comemorações familiares. Primeiro, Dia das Mães e, depois, aniversário da mamãe da Júlia. Além dos preparativos da viagem do Bill. Well, isso não é desculpa, mas confesso: às vezes é bom ficar off-line, dar um tempo.

Enquanto isso, claro, houve bons momentos em volta da mesa.

Outro dia, depois da aula, levei a Júlia para almoçar fora. Acabei escolhendo o Capim Santo, por alguns motivos: pela proximidade, por ser buffet (a Júlia não paga) e pelo ambiente verde. Não sabia como andava a comida ultimamente, mas isso era uma questão de descobrir.

E não é que a surpresa foi boa?

A Júlia comeu muito: feijão, lentilha, maminha na panela, arroz e saladinha de pepino. Elogiou o sabor. E repetiu. Enfim, adorou.

Depois do almoço, fomos para a Livraria da Vila, onde ela queria comprar um livro. Lá, ela pulou, correu e de repente passou mal a ponto de vomitar, reclamando da barriga. Não acreditei que a comida estivesse contaminada ou algo assim, porque comigo não aconteceu nada. Na volta para casa, ela continuou meio ruizinha e só melhorou 24 horas depois.

Minha conclusão: falta pimenta e dendê no DNA da pequena. Temos que voltar lá mais vezes para ela ir se acostumando...

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Jantar japa.

Mitsuyioshi é o segundo nome do Marcel, tio da Júlia.

É também o nome do restaurante japonês favorito dela, no bairro Paraíso, onde fomos jantar hoje à noite.

Já na chegada, ela pediu as ovas de salmão que ama.

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A escolha do restante dos pratos, deixamos por conta do papai japonês, é claro. E não nos arrependemos.

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Combinado. A Júlia só gosta do sushi de pepino. Houve um tempo em que ela comia sashimi, mas ultimamente anda recusando. Certamente voltará a aceitar mais tarde.

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Kakifurai. Ostras empanadas e fritas. Uma delícia. Eu e a Júlia provamos pela primeira vez e adoramos.

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Anchova grelhada. O sabor estava simplesmente maravilhoso. Quem dera poder comer algo assim todos os dias.

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Mesmo que minha filha não fosse mestiça, certamente eu a introduziria desde cedo na gastronomia japonesa, principalmente porque é saudável e tem sabores equilibrados. Só o fato de não usar sal, é uma cozinha que nos aproxima muito mais do sabor original dos ingredientes.

Mimo de mãe numa tarde de outono.

Olha só a luz.

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Eram quase 3 da tarde, quando passei hoje a pé em frente à Maria Brigadeiro. Entrei e, como sempre, fiquei inebriada com aqueles doces todos. Pensei obviamente na Júlia e resolvi fazer uma surpresinha para ela.

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Foi difícil escolher entre tantos sabores. Mas achei que não deveria arriscar muito porque, apesar de ser curiosa, brigadeiro na cabeça dela ainda é aquele docinho de chocolate coberto de granulados. Por isso, deixei a ousadia para o brigadeiro de pistache, já que ela adora pistache.

Eu estava ansiosa para chegar em casa e entregar a caixinha para ela com os brigadeiros tradicional, de pistache, noir e leite ninho.

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Como imaginava, ela adorou o noir e o tradicional. Sobrou o de pistache, mas eu estou fazendo dieta...

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Aceita?

Falafa. O restaurante do pai do Luquinhas.

Eu adoro jazz e volta e meia falo pra Júlia que adoraria nascer de novo negra com uma voz linda para cantar blues ou jazz. Aí fico imitando minhas divas, enquanto ela rola de dar risada. São poucos lugares onde se pode almoçar ouvindo jazz. Eu, pelo menos, não lembro de nenhum outro em São Paulo além do Falafa, ainda mais tão pertinho de casa.

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Vamos lá desde que a casa abriu, em meados de abril do ano passado, quando a Júlia virou amiga de escola do Luquinhas, filho do Rocco (brasileiro) e da Jen (californiana), dois músicos que se conheceram e casaram nos EUA e, depois de 20 anos, vieram com esse projeto ao Brasil, junto com a sócio Amnon.

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Como sou louca por falafel, almoço lá com alguma frequência. Até porque não tem só falafel. Por exemplo. Eles fazem uma das berinjelas mais maravilhosas do mundo, assada com queijo de cabra derretido. É inesquecível e não consigo reproduzir em casa de jeito nenhum. Sorte do Rocco.

Tudo é gostoso, principalmente porque os ingredientes são de primeiríssima (não é à toa que o local já recebeu as melhores resenhas da cidade, inclusive na Time Out).

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Well, quarta-feira, eu e a Júlia fomos lá novamente. Ela pediu uma espetada de frango com fritas. Não sobrou muita coisa.

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Eu fiquei no meu prato favorito: salada de tabule, com grão de bico, alface, tomates e pepinos frescos e molho de iogurte. Não sobrou nada. Nem fome.

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O Falafa fica na Padre João Manoel, 730, entre Tietê e Lorena, no lado esquerdo, bem na frente da faixa de pedestre daquela escola no meio da quadra. O ambiente é cool, o preço é bom, os garçons são gentis, sobre a música e a comida já falei, tem sofás, não tem filas, crianças (amigas ou não do Lucas) são bem-vindas!

 

Hoje é Páscoa.

Hoje, em vários castelos, sítios históricos e fortalezas de toda a França, haverá caças ao tesouro e a ovos de Páscoa. As crianças terão que resolver enigmas sobre arquitetura e ancestrais locais, em troca de chocolates. Não é o máximo? É nessas horas (e em muitas outras também) que dá vontade de morar na França.

Feliz Páscoa para todos! Com muitos chocolates, sem enigmas mesmo.

Ok
Entrada grátis para menores de 26 anos. Aqui fala mais.

Infâncias douradas.

O Laço de Ouro é um daqueles lugares que lembra a infância, mesmo que você nunca tenha ido lá na infância. Talvez pela forma de assar as carnes. Numa imensa churrasqueira com um exaustor gigante que não deixa a fumaça se espalhar de jeito algum.

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Ou pela forma como os garçons servem a mesa

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Ou por causa da travessa de inox com salada.

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Ou pelo desenho da cadeirinha de plástico marrom das crianças. Quase desconcertante de tão feia.

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Ou pelas sinalizações.

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A salada de batatas com maionese é daquelas que dá água na boca. O vinagrete com pão de francês quase estraga o apetite de tão gostoso e incontrolável que é.

Já levamos a Júlia lá algumas vezes. Ela simplesmente adora, ainda mais quando pedimos carne com osso, como desta vez: uma senhora bisteca suculenta. Mesa farta para esquecer do resto do mundo.

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Um dos pratos imperdíveis é a batata frita "estufada", uma das melhores da cidade na minha opinião. Esqueça o regime. Vale a pena essa exceção.

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O restaurante é um clássico da Aclimação e, por isso, sempre recebe muitos orientais da redondeza que adoram carne boa. Da próxima vez, vamos chamar sem falta a Elisa (do blog yuminamesa) e o Zé, porque eles já disseram que tem vontade de conhecer o local de tanto o Bill falar.

Frango assado da mamãe e da pequena gourmet.

Já publiquei aqui no blog há algum tempo atrás a receita do frango assado da pequena gourmet preparado pelo papai dela. Sucesso absoluto em nossos almoços e jantares. Como agora também virei cozinheira da casa, ontem foi minha vez de aprender a fazer o frango, com a ajuda da família toda.

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Júlia ajudou a temperar, espalhando o alho e as raspas do limão siciliano, sob a supervisão do papai.

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Tempero a quatro mãos (mamãe e filha(. É preciso espalhar muito bem, antes de colocar na geladeira e deixar descansar uma noite inteira.
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Às 10h30, antes de sair para uma reunião, coloquei o frango no forno, de onde ele saiu apenas às 14h, quando voltei para casa.

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Coloquei na assadeira também algumas batatas com casca e tudo (lavadas, é claro) e ficaram maravilhosas...

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Como acompanhamento, preparei ainda um macarrão fresco, que a Júlia comeu junto com uma coxa, meia asa, meio fígado, meia moela e o rabo do frango. Modéstia à parte, acho que acertamos.

Leite tipo amor.

Quando nasceu, a Júlia não pode ser amamentada infelizmente. Mesmo assim, tirei leite religiosamente 3 vezes ao dia no banco de leite do hospital durante 4 meses em que ela esteve internada na UTI Neonatal. Doei mais de 100 litros (pelos meus cálculos) para um hospital público. E dei de mamar em pensamento para a minha filha. Pelo menos, eu tinha cheirinho de leite, cheirinho de mãe. Mesmo na prematuridade extrema, a boquinha dela procurava meus seios num movimento involuntário. O mais impressionante é que, quando eu chegava perto dela, o leite vazava dos meus seios. Sim, vazava. Só por causa da aproximação. Isso é uma prova definitiva de que o instinto e a biologia são maior que a razão. Apesar dela não ter recebido meu leite, eu sinto como se ela tivesse sido amamentada. E de uma certa forma foi, com minha vontade e o meu amor.

Menu da noite.

Só quando o jantar estava servido, eu percebi que o menu era mestiço como a pequena Júlia:

• Joelho de porco (carne pink, segundo a Júlia) cozido com batatas.

• Sashimi de salmão com arroz.

Na verdade, ela não comeu sashimi e ficou apenas na tradição germânica. Eu, por outro lado, quase devorei o sashimi sozinha. O pai dela comprou o peixe hoje e ele mesmo cortou em fatias generosas como não se encontram em restaurantes. Apesar de japa, ele é louco por joelho de porco, assim como a Júlia. Eu, não faço questão. Acho que sou mais japonesa que os dois.

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Uma peça de joelho de porco dianteiro na salmoura leve. Foi cozida em água com grãos de pimenta do reino, 1 folha de louro e 2 cravos da índia. A peça cozinhou submersa por pelo menos duas horas em muita água até ficar macia. E só.

(A foto do celular ficou péssima, porque a bateria de minha máquina de verdade acabou. Sorry.)

Rabada com cravo e anis.

Outro dia, fomos a um restaurante espanhol e pedimos rabada. Afinal, a Júlia adora. Quando o prato chegou, ela não gostou nem um pouco. Experimentei e percebi que o sabor tinha uma mistura forte demais e só consegui identificar vinho e anis. O garçon não quis contar os ingredientes secretos, mas acabou revelando que havia cravo e anis, entre outros temperos. Assim como a Júlia, eu também não gostei. Enjoativo demais. Não sei se é uma receita de alguma região da Espanha, mas de fato não rolou com a gente.

Gastronomix: com o Pequeno Gourmet Nicolas.

Gastronomix é o nome bacana do evento gastronômico que acompanha o Festival de Teatro de Curitiba. Uma homenagem justa ao Asterix, o maior devorador de javalis que o mundo dos comics já conheceu. Embaixo da marquise do Museu Oscar Niemayer, muitas barraquinhas ofereciam diversas opções de pratos da denominada gastronomia responsável. Alguns chefs de São Paulo, Rio e Minas vieram complementar a turma talentosa do Paraná.

Num certo momento, tive a sorte de ver o Thomas Troisgros demonstrando a receita deliciosa que a barraquinha dele estava vendendo: folhado de palmito pupunha e ceviche de vieiras, com mousse de haddock. 

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Cheguei na hora certa.

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Enfim, uma marrravilha, como diria o pai do Thomas Troisgros.

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Ele parece o Fernand, padrinho da Júlia, no tempo que estudava no Liceu Pasteur.

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Apesar de ser uma das maiores atrações do evento, a barraca dele era uma das mais vazias. Imagino que por causa do tamanho da porção e do preço (R$ 15,00). Ao contrário da barraca de gnocchi, que tinha uma porção maior e formava uma fila enorme.

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Nicolas e a avó Áurea. Família Vieira provando o ceviche. (O trocadilho foi inevitável)

A pequena Júlia não foi por conta do frio e do vento, mas o amigo gourmand Nicolas esteve lá. Lembram que ele apareceu neste blog devorando escargots? Desta vez, ele fez uma minidegustação de pratos do festival, na companhia da família e da mãe da pequena gourmet (eu).

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Esse prato também foi surpreendente: porquinho com pó de coalho, cebola e jambu, do Restaurante Manu em Curitiba.

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Não parece muito bom?

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Misto de mare ao molho de açafrão da terra, do Restaurante Vecchio Sogno, de Belo Horizonte.

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A sobremesa foi da Helena Rizzo, do Reaturante Mani em São Paulo.

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Não era só linda e lúdica: deliciosa também.

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As mães dos pequenos Nicolas e Júlia.

Puf.

Ainda vai demorar muuuito para a Júlia frequentar o Bar do Balcão, na Rua Melo Alves, mas isso não quer dizer que ela precisa esperar para provar o bolinho de queijo que faz imenso sucesso por lá: o Puf.

Quem suadamente conseguiu a receita foi o nosso leitor Lee Swain e autor do blog Eu e Meu Chapéu.

Puf! Só o nome do bolinho já abre o apetite. Vejam as fotos do preparo. Agora, para saber a receita, só indo no blog Eu e Meu Chapéu.

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Os alimentos e o déficit de atenção.

Li hoje um artigo impressionante de Kristin Wartman, no site Civil Eats, sobre a relação dos alimentos como causa do déficit de atenção. É triste demais saber que milhões de crianças tomam remédios fortíssimos quando a solução poderia estar numa dieta alimentar adequada.

Desde 1970, pesquisadores não vinculados a empresas de medicamentos tem associado os alimentos, aditivos alimentares aos sintomas de déficit de atenção, mas muitos já foram demitidos ou ignorados pela medicina convencional. Um dos primeiros pesquisadores dessa área foi o Dr. Benjamin Feingold, que criou uma dieta específica para tratar de problemas comportamentais e de desenvolvimento em crianças. A dieta de Feingold, como é chamada, recomenda a remoção de todos os aditivos alimentares, corantes e conservantes encontrados normalmente na maioria dos alimentos industriais.

Há uma infinidade de estudos científicos críveis para indicar que a dieta desempenha um grande papel no desenvolvimento do DA. Um estudo descobriu que traços de zinco e cobre em crianças prevalece em crianças com DA. Outro estudo descobriu que um corante específico atua como um "agente excitatório central capaz de induzir o comportamento hiperativo." E ainda um outro estudo sugere que a combinação de diversos aditivos alimentares parece ter um efeito neurotóxico, apontando para o importante fato de que enquanto os baixos níveis individuais dos aditivos alimentares podem ser consideradas seguros para o consumo humano, devemos também considerar os efeitos combinados da vasta gama de aditivos alimentares que são predominantes em nossa alimentação.

No estudo de Pessler as crianças eram colocadas em uma dieta restrita composta de água, arroz, peru, carneiro, alface, cenouras, peras e outros alimentos hipoalergênicos, ou seja, comida de verdade, alimentos integrais. Isso significa que, por padrão, a dieta continha poucos aditivos.

Leiam o artigo completo em inglês aqui.

Isso me lembrou imediatamente a experiência que a Júlia teve ao experimentar o primeiro M&M com cerca de 2 anos: ela quase não dormiu à noite de tão excitada que ficou. E minha sogra, que é médica, explicou que deveria ser o corante e não o chocolate. Hoje, ela come esse doce normalmente (em pouca quantidade, claro) e não acontece mais nada. De qualquer maneira, evitamos alimentos industrializados e cheios de químicas desconhecidas, ou pelo menos oferecemos quantidades reduzidas.

O artigo é em inglês, mas para quem não domina a língua vale uma ajuda do Google Tradutor.

Pipoca de manhã bem cedo.

A Júlia recebeu o convite da Isabel e do Dedé para ir na pré-estréia do Rio, um lançamento da Fox. E lá fomos nós hoje cedo, 10h30.

O filme mostra o lado colorido e lindo do Brasil (a natureza) e o lado negro (a violência e o contrabando de bichos). Emociona. Caíram lágrimas dos olhos da Júlia... com o final feliz das ararinhas.

A menina que sonha ser professora.

Na última quarta, levei a Júlia comigo para finalmente conhecer o médico que fez o meu parto e a médica que fez o acompanhamento de ultrassom na minha delicada gravidez de alto risco. Foi emocionante o reencontro, principalmente com a Dra. Denise. A Júlia simplesmente saiu correndo para os braços dela e abraçou-a, sem nunca tê-la visto antes, mas somente de ouvir meus comentários sobre ela, a única profissional deste mundo que conseguiu me dar alguma esperança.

Perguntaram à Júlia o que ela quer ser quando crescer:

– Professora!

– Não quer ser médica?

– Não, quero ser professora.

Acho tão lindo ouvi-la dizendo isso, ainda mais porque isso me traz a segurança que ela admira as professoras dela.

– Mãe, de manhã eu vou ser professora e de tarde eu vou trabalhar com o papai ou com você.

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Na saída do consultório, demos um tempo na sala de espera para a Júlia comer uma maçã e assistir um pouco do Wall-e. Um filme que a gente adora e que todos pais e crianças deveriam assistir juntos para pensar no lixão que este mundo está virando, com restos de comida e tantas outras coisas.